O Mecanismo: O pior de Brasília na tela da Netflix – Crítica sem spoiler
Olá, Olá Nerds, Maratonamos a nova série da Netflix que está dando o que falar! O Mecanismo, que é inspirada nos eventos que deflagaram a operação Lava Jato da Polícia Federal do estado do Paraná.
Dirigido pelo premiadíssimo e genial José Padilla a série estreou na Netflix dia 23 de março e vem gerando fortes polêmicas, principalmente entre os envolvidos na Lava Jato.
Não estou aqui para falar se a história contada reflete 100% dos acontecimentos da operação da Polícia Federal, até porque, em todas as aberturas, a empresa de streaming faz questão que afirmar que a obra foi LIVREMENTE INSPIRADA apenas, então não nos cabe julgar a trama pela sua fidedignidade e sim pelo seu caráter “cinematográfico”. E é sobre isso que falarei nessa crítica!
Obviamente, quando eu falar dos personagens, mencionarei em qual figura a operação que eles foram inspirados, mas isso é papo para daqui a pouco. Por ora, vamos falar do Roteiro
O Plot é o início das investigações contra o doleiro Roberto Ibrahim, conduzidas pelo delegado da Policia Federativa Marco Ruffo, até ser deflagrada a operação Lava Jato, que investiga os envolvidos em um escândalo de corrupção que começa na Petrobrasil. (qualquer semelhança não é mera coincidência)
O roteiro tem alguns furos, em muitos momentos dá a entender que alguns personagens são corruptos, mas a falta de envolvimento deles na trama nos faz carregar essas dúvidas até o fim da primeira temporada, os dramas familiares, principalmente do protagonista não foram muito bem desenvolvidos, principalmente no que tange a sua condição psiquiátrica. Espero que seja melhor trabalhado na continuação, mas não foram apenas esses, focaram demais nos detalhes da operação e esqueceram de desenvolver mais os personagens.
Outro ponto que me incomodou um pouco foi o excesso de cenas picantes, gastaram muito tempo de tela com sexo e mulheres seminuas, tempo que poderia ser usado para dar mais profundidade aos protagonistas. As vezes menos, é mais….
A série acerta no tom mais denso, na tensão criada, no envolvimento com a trama. Além disso, você sente empatia pelos protagonistas, não só por conta dos personagens em si, mas também pela entrega que de cada ator, que estão interpretando como nunca!
A história mostra de um lado toda podridão que ocorre na elite política brasileira, toda a arquitetura da corrupção para que o dinheiro do contribuinte pare indevidamente no bolso de pessoas sem escrúpulos que desejam o bem apenas a si mesmos e do outro lado uma polícia que não tem recursos suficientes para conduzir uma investigação de maneira adequada e ainda conta com membros que atuam “do lado de lá”. Obviamente, independentemente da produtora falar sobre livre inspiração, esta é a realidade do nosso país, sujeira para tudo quanto é lado.
Mas voltando a cinematografia…
A fotografia está excelente, tecnologia de cinema, as cenas ficaram lindas, mesmo tomadas simples com drones ou paisagens do cotidiano ganham vida com ângulos diferentes e uma mexida na matiz e na saturação. Há inúmeras tomadas lindas do Jardim Botânico de Curitiba, da Praça dos Três Poderes em Brasília e vários outros pontos do Brasil. A palheta de cores mais neutra também é responsável pela densidade que a série propõe, trabalho Fantástico
As trilha sonora e as musicas utilizadas estão muito boas também, músicas que pegam pesado como Bichos Escrotos dos Titãs até a tranquila Gold de Chet Faker, que montam muito bem o clima da trama.
Os atores estão magníficos, trabalhos impecáveis de Selton Melo como o ex delegado Marco Ruffo, de Caroline Abras como a delegada Verena Cardoni e principalmente do ator Enrique Dias como o doleiro Roberto Ibrahim. Você percebe uma verdadeira entrega do elenco, com atuações únicas e convincentes. Você percebe uma falha ou outra, obviamente, como quando a Delegada Verena é “peitada” faltou um pouco mais de vigor no momento que ela se impõe, mas no geral a atuação é muito, muito boa!
Vamos ao Elenco
Selton Melo interpreta o ex Delegao Marco Ruffo, inspirado em Gerson Machado.
Caroline Abras como a Delegada Verena Cardoni que é inspirada na Delegada Erika Marena
Otto Jr. interpretando Juiz Paulo Rigo, inspirado no Juiz Sérgio Moro
Enrique Diaz é Roberto Ibrahim, que é inspirado no doleiro Alberto Youssef
Se o Debate Nerd recomenda? Sem dúvidas, não percam de jeito nenhum, mas fica aqui um alerta, não use a série como um meio de conhecer a operação Lava Jato, se este for seu interesse, procure literatura especializada!









